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Sala Mariana discutiu exercício individualizado, capacidade funcional, pré-habilitação, prevenção de lesões e manutenção dos resultados após a cirurgia bariátrica

A atividade física não deve ser encarada como uma recomendação genérica para quem tem obesidade. Avaliar capacidade funcional, força, mobilidade, composição corporal e limitações individuais é fundamental para definir estratégias seguras e eficazes. Essa foi uma das mensagens que marcaram as discussões da Sala Mariana – Saúde Física, nesta quarta-feira (30), durante o XXVI Congresso Brasileiro de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, em Belo Horizonte (MG).

Na primeira mesa, “Obesidade como doença crônica: mudanças no paradigma de tratamento”, moderada por Mirian Girundi Santana (MG), com os debatedores Vanusa Maria Oliveira Barboza (SP), Erika Troncoso (Chile) e Alexandre Vieira Gadducci (SP), os especialistas discutiram a evolução do papel do exercício no tratamento da obesidade.

Marcos Moraes de Oliveira (SP) abriu a programação com “Atualizações em Movimento – Evolução do Treinamento Físico no Tratamento da Obesidade”. Carolina Boeira Vargas (RS) apresentou “Capacidade Funcional como Novo Biomarcador no Manejo da Obesidade: o Papel da Fisioterapia”, seguida por Levimar Rocha Araujo (MG), com “Obesidade Além do IMC: Como Definir a Melhor Estratégia Terapêutica?”.

Carlos Alberto Abujabra Merege Filho (SP) discutiu “Medicamentos Anti-Obesidade e Exercício Físico: Sinergia ou Interferência nos Resultados?”, enquanto Ana Flavia de Oliveira Poni (MG) abordou “Biomecânica do Emagrecimento: Desafios Osteomusculares e o Papel do Seguimento de Reabilitação no Cuidado ao Paciente em Tratamento da Obesidade”.

Exercício precisa considerar o paciente

Na segunda rodada da manhã, “Como Integrar as Diferentes Estratégias no Tratamento da Obesidade”, a discussão foi moderada por Cristina Aquino (PR), com os debatedores Caio Átila Prata Bezerra de Sousa (CE), Tamires Precybelovicz (PR), Ana Carolina Brochado Geist (RS) e Caroline Moraes Amaral Blat Migliorini (SP).

Roseane Caldeira (MG) falou sobre “Integração da Reabilitação Física ao Tratamento Multidisciplinar da Obesidade”. Em seguida, Aline de Freitas Brito (PE) abordou “Estilo de Vida e Adesão ao Tratamento: Determinantes do Sucesso a Longo Prazo”.

A relação entre atividade física e alimentação foi discutida por Tarcila Beatriz Ferraz de Campos (SP), em “Exercício Melhora a Adesão à Dieta? Evidências Científicas”. Marcela Abreu Rodrigues (DF) encerrou as apresentações com “Psicologia do Comportamento Ativo: Estratégias para Auxiliar o Paciente com Obesidade a se Manter em Movimento”.

Pré-habilitação prepara paciente para a cirurgia

À tarde, a mesa “Capacidade Funcional, Exercício e Preparação do Paciente com Obesidade”, moderada por Emilian Rejane Marcon (RS), reuniu os debatedores André dos Santos Costa (PE), Charel de Matos Neves (RS), Priscila Tondello e Pedro Gomes Worms (RJ).

Fernanda Jung (RS), educadora física, abriu a rodada com “Avaliação da Capacidade Funcional no Portador de Obesidade: Ferramentas para Estratificação de Risco e Prescrição de Exercício”. A especialista destacou que o peso na balança representa apenas uma parte da avaliação. Bioimpedância, DXA e outros recursos podem contribuir para conhecer melhor o paciente, mas a prescrição do exercício precisa considerar aspectos como força, mobilidade, flexibilidade e amplitude articular.

Para Fernanda, a atividade física deve ser frequente e individualizada. Além de contribuir para o condicionamento, o exercício pode ampliar a autonomia e a qualidade de vida.

A importância da preparação antes da cirurgia foi abordada por Fabiana Della Via (SP), fisioterapeuta, em “Pré-Habilitação do Paciente Bariátrico: Preparando o Organismo para Melhores Desfechos Cirúrgicos”. A avaliação deve considerar força e capacidade respiratória, e o acompanhamento permite ajustar o treinamento conforme a evolução de cada paciente.

Segundo a especialista, estudos apresentados demonstram melhora da capacidade respiratória, mobilidade e capacidade aeróbica em pacientes submetidos à fisioterapia antes da cirurgia. Para ampliar o acesso à pré-habilitação, ela também citou o uso de consultas on-line como estratégia para favorecer a adesão.

Biomecânica e músculo também entram na avaliação

Em “Adaptações Biomecânicas e Prevenção de Lesões no Treinamento para Portadores de Obesidade”, Igor Henriques Fortunato (PB) destacou que a prescrição deve responder a perguntas como “para quem, quando e como?”, considerando alterações no centro de gravidade, sobrecarga articular, mobilidade reduzida e dores musculoesqueléticas.

O especialista defendeu que o paciente com obesidade não precisa necessariamente de um treinamento de alta intensidade. O exercício deve ser baseado em evidências e adaptado às limitações individuais.

A avaliação muscular foi o foco de Caio Átila Prata Bezerra de Sousa (CE), fisioterapeuta, em “Da Imagem à Função: Ultrassonografia Cinesiológica na Avaliação Muscular do Paciente com Obesidade”. Segundo ele, o exame pode avaliar quantidade, qualidade, arquitetura e função muscular e acompanhar a evolução do paciente ao longo do tratamento. O quadríceps recebeu atenção especial por sua relação com atividades como caminhar, subir escadas e realizar exercícios. “A coxa fala sobre mobilidade”, afirmou.

Alexandre Vieira Gadducci (SP), em “Implicações das Deficiências Nutricionais na Prescrição de Exercício Físico”, chamou atenção para a relação entre obesidade, deficiências nutricionais e obesidade sarcopênica. Ferro, vitamina B12, vitamina D e cálcio estão entre os nutrientes que precisam ser monitorados, especialmente após procedimentos bariátricos.

O especialista também ressaltou que nutrição e exercício não devem ser tratados isoladamente. O acompanhamento conjunto é necessário para melhorar os resultados e lidar com situações como a hipoglicemia pós-bariátrica.

Fechando a mesa, André Costa (PE) apresentou “Exercício Físico na Inflexibilidade Metabólica em Pessoas com Obesidade”, abordando a capacidade do organismo de ajustar a utilização de diferentes fontes de energia e sua relação com condições como resistência à insulina, diabetes tipo 2 e sarcopenia.

Manter resultados exige movimento no longo prazo

A última mesa do dia, “Manutenção de Resultados e Recidiva de Peso”, foi moderada por André dos Santos Costa (PE), com os debatedores Ana Flavia de Oliveira Poni (MG), Victoria de Lima Marinho (PB), Simone de Souza Ribeiro (SC) e Luiz Carlos Lazzeri Bremm (PR).

A programação reuniu diferentes perspectivas sobre a manutenção dos resultados após a cirurgia bariátrica: Vanusa Maria Oliveira Barboza (SP) apresentou “Reabilitação Funcional no Longo Prazo após Cirurgia Bariátrica: Manejo de Limitações Musculoesqueléticas e Promoção da Funcionalidade”; Emilian Rejane Marcon (RS) falou sobre “Manejo da Obesidade e Cirurgia Bariátrica: Papel do Exercício Físico nas Comorbidades Associadas”; e Jorge Vasquez (Chile) abordou “A Atividade Física como Fator de Proteção para Pacientes Bariátricos em um Ambiente Hostil”.

Também foram discutidos “Sem Treinamento Físico Há Manutenção de Peso no Longo Prazo?”, por Hélder Gabriel Rodrigues da Silva (RS); “Sarcopenia Pós-Bariátrica: o Elo entre Dor, Perda Funcional e Recidiva do Peso — o Papel da Fisioterapia”, por Mirian Girundi Santana (MG); e “Treinamento de Força após Emagrecimento Significativo: Impacto Metabólico e Funcional”, por Paulo Roberto Cavalcanti Carvalho (PE).

As discussões da Sala Mariana reforçaram que o exercício físico integra uma estratégia mais ampla de tratamento da obesidade. Mais do que estimular a prática de atividade física de forma genérica, o desafio é avaliar cada paciente, identificar suas capacidades e limitações e construir uma prescrição que possa ser mantida ao longo do tempo.

Do pré-operatório à manutenção dos resultados após a cirurgia, a saúde física apareceu como parte permanente do cuidado, associada à nutrição, à fisioterapia, à medicina e às demais áreas que participam do tratamento multidisciplinar da obesidade.

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