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A saúde da mulher foi tema de um ciclo de debates realizado na tarde desta quinta-feira (1º), durante o XXVI Congresso Brasileiro de Cirurgia Bariátrica e Metabólica da SBCBM, em Belo Horizonte (MG). A programação discutiu os impactos da obesidade e da cirurgia bariátrica sobre fertilidade, gestação, câncer, saúde mental, sexualidade e estado nutricional.

O coordenador científico do Congresso, Luiz Fernando Córdova de la Quintana, destacou a importância do tema após a primeira apresentação. Segundo ele, o ciclo de Saúde da Mulher foi preparado com atenção especial pela comissão científica, diante da relevância das questões específicas que envolvem as pacientes com obesidade submetidas ao tratamento cirúrgico.

Fertilidade e gestação após a cirurgia

Bruna Pitaluga Peret Ottani (DF) abriu a programação com a discussão sobre a mulher com obesidade que deseja engravidar e as possibilidades de cirurgia bariátrica, medicamentos análogos de GLP-1 ou a combinação das estratégias. A apresentação destacou a necessidade de planejamento pré-concepcional, especialmente diante da suspensão dos medicamentos antes da gestação e da possibilidade de reganho de peso nesse período.

Liliam Teixeira Francisco (RJ) abordou os cuidados com a gestação após uma grande perda de peso. Entre os pontos destacados estiveram o planejamento da gravidez, a avaliação do estado nutricional além do peso corporal, a adequação da ingestão de proteínas e o acompanhamento de micronutrientes como ferro, vitamina B12, folato e tiamina. A especialista ressaltou que a suplementação precisa considerar a técnica cirúrgica e as necessidades individuais da gestante.

Na sequência, o endocrinologista espanhol Josep Vidal Cortada discutiu os desafios do tratamento da obesidade em mulheres com infertilidade. A apresentação abordou os efeitos da obesidade sobre a fertilidade, a importância da avaliação pré-concepcional e o papel dos medicamentos antiobesidade e da cirurgia bariátrica. O especialista também destacou a necessidade de contracepção eficaz durante o uso de determinados medicamentos e do respeito ao período de suspensão antes da tentativa de concepção.

Cirurgia bariátrica e câncer feminino

Maria Cecília Fittipaldo Massaro (SP) apresentou evidências sobre a relação entre cirurgia bariátrica e câncer da mulher. A palestra abordou mecanismos metabólicos associados à obesidade e dados de estudos que investigam a ocorrência de cânceres relacionados à obesidade após a cirurgia.

O ciclo também discutiu aspectos que vão além dos resultados metabólicos. Alex Santos Rocha (RJ) falou sobre saúde mental, sexualidade e imagem corporal após a cirurgia bariátrica. A apresentação chamou atenção para o processo de adaptação à mudança corporal, o impacto do excesso de pele, as relações afetivas e a necessidade de acompanhamento psicológico no longo prazo, além do envolvimento de toda a família nesse processo de redescoberta do corpo e da sexualidade.

A programação foi encerrada com a abordagem da anemia ao longo do ciclo reprodutivo da mulher após a cirurgia bariátrica, apresentada por Jose Bezerra Camara Neto (PE), seguida de debate.

A mesa de Saúde da Mulher teve moderação de Clarissa Guedes Noronha (PE) e participação dos debatedores Thais Costa (GO), Tais Cristina Pereira de Oliveira (SP), Jordana Pereira (MG) e Christian Lamar Scheibe (MA).

ABRAN discute cuidados após a cirurgia bariátrica

Antes da programação da tarde, a Sala Tiradentes recebeu a mesa da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), com temas relacionados ao acompanhamento clínico após a cirurgia bariátrica.

Marcella Garcez (PR) discutiu a indicação de reposição oral ou injetável de nutrientes no pós-operatório. Jaqueline Isaura Alvarez-Leite (MG) abordou os transtornos alimentares após a cirurgia, enquanto Durval Ribas tratou do reganho de peso e do uso de agonistas incretínicos. Carla Valeria de Andrade Viegas (RJ) apresentou evidências sobre reposição hormonal no pós-operatório.

A mesa foi moderada por Fabio Viegas (RJ), com participação dos debatedores Guilherme Fagundes Bassols (RS), Gilberto Borges de Brito (SP) e Luiz Fernando Córdova de la Quintana (DF). Os temas reforçaram a necessidade de acompanhamento clínico individualizado no período posterior à cirurgia, considerando alterações nutricionais, metabólicas, comportamentais e hormonais.

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