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Sala Diamantina reuniu discussões sobre preparo nutricional, composição corporal, comportamento alimentar, acompanhamento no SUS, deficiências nutricionais e o papel do nutricionista na era dos análogos de GLP-1 e GIP

A nutrição foi muito além da balança nesta quarta-feira (30), na Sala Diamantina do XXVI Congresso Brasileiro de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, em Belo Horizonte (MG). Ao longo do dia, especialistas discutiram diferentes etapas do tratamento da obesidade, do preparo para a cirurgia ao acompanhamento no longo prazo, reforçando a importância de uma abordagem individualizada e multidisciplinar.

Na primeira mesa, “Do Pré-Operatório ao Longo Prazo: A Jornada do Paciente com Obesidade no SUS”, o moderador foi Sérgio Ricardo Pioner (RS), com os debatedores Tâmara Oliveira dos Reis (MG), Mariana Silva Melendez Araujo (DF), Rafaella Bedin Lovatel (RS) e Cláudio Cora Mottin (RS).

Tamires Precybelovicz (PR) abriu a programação com “Preparo Nutricional do Paciente com Diabetes no Pré-Operatório”. Segundo ela, 60% dos pacientes não têm a taxa de glicemia identificada na primeira consulta. A especialista destacou que o preparo nutricional não deve ter como único objetivo a perda de peso, mas também o controle glicêmico, a redução do volume hepático e a melhora da resistência à insulina. “O objetivo não é só emagrecer. É perder peso de forma sustentável e saudável”, afirmou.

Liliam Teixeira Francisco (RJ), em “Desafios no Cuidado Nutricional: Como Evitar o Estigma”, alertou para a reprodução de julgamentos sobre a obesidade dentro dos próprios consultórios. Para ela, o nutricionista precisa conhecer a rotina, as condições de vida e as particularidades de cada paciente. “Quando deixamos o julgamento de lado, a nutrição deixa de ser sobre peso e passa a ser, verdadeiramente, sobre pessoas”, disse.

A avaliação além do peso foi tema de Daniela Vicinansa Monaco Ferreira (SP), em “Avaliação Nutricional: O Que Considerar Além do Peso em Pacientes em Emagrecimento”. A especialista destacou a importância da composição corporal e de ferramentas como bioimpedância, DXA e ultrassonografia, além da atenção à massa muscular e à obesidade sarcopênica.

Carina Rossoni (Portugal) apresentou “Protocolo ERAS na Cirurgia Bariátrica: O Papel da Nutrição na Recuperação Acelerada”, mostrando estratégias de preparação e recuperação após a cirurgia. Segundo ela, o protocolo busca reduzir riscos e acelerar a recuperação, embora sua implantação no SUS enfrente desafios relacionados à heterogeneidade dos serviços.

A organização da assistência foi abordada por Guilherme Sampaio Souza (SP), em “Linha de Cuidado da Obesidade no SUS: Da Atenção Primária ao Tratamento Cirúrgico”. O especialista defendeu maior integração entre os níveis de atendimento e destacou que o pré-operatório também é parte do tratamento.

Andrea de Lucca apresentou “Acompanhamento Nutricional do Paciente Bariátrico no SUS: Desafios e Estratégias para o Seguimento no Longo Prazo”. Encerrando a mesa, Cynthia Meira de Almeida Godoy (RN) discutiu o “Suporte da Fonoaudiologia no Tratamento Cirúrgico no SUS”, incluindo avaliação da mastigação, deglutição e estruturas orofaciais antes e depois da cirurgia.

Comportamento, sono e composição corporal

A segunda rodada da manhã, “Além das Calorias: Comportamento, Ritmo Biológico e Composição Corporal na Obesidade”, teve como moderadora Priscila Stephane Carvalho Zambelli (MG) e como debatedoras Larise Cristine (DF), Carla Ribeiro Nogueira Franca (RJ), Stephania Neves Scapim (MG) e Silvia Leite (DF).

Vanessa Silva Maia (RJ) falou sobre “Food Noise e Fome Hedônica na Obesidade: Implicações para o Tratamento Clínico e Cirúrgico”. Silvia Elaine Pereira (RJ) abordou “Comportamento, Sono, Obesidade e Crononutrição: Impacto do Ritmo Circadiano no Metabolismo e no Comportamento Alimentar”, destacando a relação entre cronotipo, metabolismo e controle do peso.

O lipedema foi discutido pela ginecologista Jordana Pereira, em “Lipedema na Prática Clínica: Manejo e Tratamento”. A especialista ressaltou que a cirurgia bariátrica pode reduzir o volume corporal, mas não necessariamente elimina a dor e outras manifestações da doença, reforçando a necessidade de tratamento individualizado e além da perda de peso.

A nutricionista Fernanda Mattos (RJ), em “Como Avaliar Quantidade e Funcionalidade Muscular na Prática Clínica”, apresentou ferramentas para avaliação da composição corporal e reforçou que a escolha do método deve considerar cada paciente. “O tratamento tem que ser individualizado”, destacou.

Marcos Moraes de Oliveira (SP) encerrou a rodada com “Álcool e Saúde Muscular: Impacto na Composição Corporal e no Metabolismo”, mostrando que a absorção do álcool pode ser mais rápida após a cirurgia bariátrica. Enquanto pacientes não operados passam a sentir os efeitos do álcool a partir de 30 minutos após o consumo, o paciente bariátrico já sente os efeitos a partir de cinco minutos, especialmente os submetidos ao bypass

Deficiências nutricionais e novas terapias

À tarde, a mesa “Deficiências Nutricionais na Obesidade e Pós-Bariátrica: da Identificação ao Manejo Clínico” foi moderada por Luiz Alberto de Carli (RS), com os debatedores Ariane Longo (SP), Roberto Luiz Kaiser Junior (SP), Gabriel Cairo Nunes (SP) e Antelmo Sasso Fin (ES).

A programação reuniu Vanessa Vieira Lourenço Costa (PA), com “Monitorização Laboratorial de Possíveis Deficiências Nutricionais Após Cirurgia Bariátrica e Metabólica”; Silvia Leite (DF), com “Critérios para Seleção de um Bom Suplemento de Vitaminas e Minerais”; Marcella Garcez (PR), com “Infusão de Vitaminas e Minerais no Emagrecimento e nas Deficiências Nutricionais: Quais as Evidências Científicas e Limitações”; Celia Aparecida Valbon Beleli (SP), com “Relação entre Depressão e Ansiedade e Possíveis Deficiências de Vitaminas do Complexo B: Existe Relação?”; Tarcila Beatriz Ferraz de Campos (SP), com “Hipoglicemia Reativa na Prática Clínica: Atualizações Dietéticas e Como Usar os Aparelhos de Monitorização Contínua”; e Bruna Pitaluga Peret Ottani (DF), com “Manejo Nutricional da Deficiência de Ferro”.

A última mesa, “Além da Balança: O Novo Papel do Nutricionista na Era dos Análogos de GLP-1”, foi moderada por João Alipio Barcellos Noe (ES), com os debatedores Glauber Higa Kaio (PR), Aline Cunha Carvalho (MG) e Jarbas Marinho Branco Cavalheiro (RS).

Tarcila Beatriz Ferraz de Campos (SP) abriu a rodada com “Nutrição na Era dos Análogos de GLP-1 e GIP no Tratamento da Obesidade e Diabetes”. Marcela Abreu Rodrigues (DF) discutiu o “Suporte Psicossocial da Era dos Análogos do GLP-1”, enquanto Cinthia Taglieri (SP) abordou “Inteligência Artificial e Ferramentas Digitais na Prática Clínica do Nutricionista”.

Também foram discutidos “A Nova Pirâmide Alimentar Americana Pode Ser Útil para Pacientes em Emagrecimento?”, por Maria Paula Carlin Cambi (PR); “Desafios na Valorização de Melhorias de Saúde Além da Perda de Peso em Pacientes em Processo de Emagrecimento: Há Estratégias Mais Eficazes?”, por Mariana Silva Melendez Araujo (DF); e “GLP-1, Músculo e Obesidade: Estratégia para Controle do Peso”, por Carlos Alberto Abujabra Merege Filho (SP).

Compreender a obesidade antes de tratar

As discussões da Sala Diamantina mostraram que o tratamento nutricional da obesidade acompanha a própria transformação na compreensão da doença. Peso, composição corporal, massa muscular, comportamento alimentar, sono, saúde mental, deficiências nutricionais e resposta às diferentes terapias precisam ser considerados em conjunto.

Em um cenário marcado pela cirurgia bariátrica, pelos novos medicamentos para obesidade e diabetes e pela incorporação de tecnologias digitais, a individualização do cuidado foi um dos principais pontos de convergência entre as apresentações.

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