Notícias Notícias Destaque

A criação de Centros de Tratamento da Obesidade (CTOs) pode ser um caminho para organizar a assistência às pessoas com obesidade no Sistema Único de Saúde (SUS), ampliar o acesso à cirurgia bariátrica e integrar as diferentes etapas do tratamento. A proposta foi apresentada pelo presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), Juliano Blanco Canavarros, durante o segundo dia do XXVI Congresso Brasileiro de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, em Belo Horizonte (MG).

O modelo é resultado de uma agenda iniciada pela atual gestão da SBCBM, que percorreu diferentes regiões do país para conhecer os desafios enfrentados pelo SUS no tratamento da obesidade. A entidade também levou a discussão a instituições como Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Ministério da Saúde. A proposta de CTOs já havia sido apresentada pela Sociedade em fóruns nacionais ao longo de 2026.

A ideia é que o CTO funcione como um centro organizador da linha de cuidado da obesidade, e não apenas como um local para realização de cirurgias. O paciente seria acompanhado de acordo com sua necessidade, com integração entre atenção primária, equipe especializada e hospital.

“CTO é uma sugestão estruturante para o SUS”, afirmou Canavarros. Segundo ele, o modelo pode enfrentar problemas identificados nas visitas realizadas pela Sociedade, como filas longas e desiguais, critérios heterogêneos, fragmentação do atendimento e custos elevados decorrentes da falta de organização da linha de cuidado.

Uma estrutura para integrar o tratamento

De acordo com a proposta apresentada, o CTO poderia ser implantado inclusive como uma estrutura dentro de um município, sem necessariamente representar a criação de um novo hospital. O espaço reuniria profissionais como cirurgião, endocrinologista, nutricionista, psicólogo, educador físico, entre outros essenciais para o tratamento da obesidade, permitindo definir se o paciente deve seguir tratamento clínico ou ser encaminhado para avaliação cirúrgica.

“Não se trata apenas de promover cirurgia, mas sim o tratamento integral do paciente com obesidade”, destacou Canavarros.

A proposta prevê uma parceria entre o poder público e a iniciativa privada, mantendo a gestão do atendimento no SUS e utilizando mecanismos de governança e organização inspirados em modelos de gestão mais estruturados. Entre as atribuições previstas para a SBCBM estão certificação dos CTOs, treinamento das equipes, atualização de protocolos, auditoria de resultados e possibilidade de consultas remotas para dar andamento ao serviço.

O fluxo imaginado parte da atenção primária, passa pelo CTO e, quando necessário, pelo hospital, retornando ao centro especializado para o acompanhamento. A Sociedade também defende uma fila única e regulada, com priorização de pacientes segundo critérios clínicos e gravidade.

“Obesidade precisa de política pública com ciência e a SBCBM é parceira técnica ideal”, afirmou o presidente.

Próxima gestão promete continuidade

Antes da apresentação dos CTOs, Luiz Fernando Córdova de La Quintana, vice-presidente eleito da SBCBM para a gestão 2027–2028, fez um panorama do cenário da cirurgia bariátrica no SUS e destacou a aproximação institucional construída durante a atual gestão. A eleição da nova diretoria ocorreu em junho, com Fábio Almeida Santos eleito presidente e Córdova como vice-presidente.

Para Córdova, uma das marcas da gestão de Canavarros foi aproximar a Sociedade das instituições responsáveis pela organização do SUS. Ele defendeu que a SBCBM utilize sua presença nacional para qualificar profissionais e ajudar a estruturar os CTOs.

“Tudo aqui é uma continuidade. Tudo que é bom a gente vai continuar”, afirmou.

Segundo ele, a necessidade de fortalecer o atendimento público tende a aumentar diante da redução do poder aquisitivo da população e da diminuição da cobertura por planos de saúde. “O SUS hoje se tornou fundamental, porque 80% dos pacientes estão no SUS”, disse.

To top