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A Sala Rio Iguaçu foi palco, nesta quinta-feira (23), de intensas discussões conduzidas pela COESAS (Comissão das Especialidades Associadas da SBCBM), reunindo psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, educadores físicos, psiquiatras e médicos de diferentes regiões do país. As mesas mostraram que o sucesso da cirurgia bariátrica e metabólica vai muito além da sala operatória e que depende de acompanhamento emocional, nutricional e comportamental de longo prazo.

O dia começou com a o debate: “Obesidade extrema e cirurgia bariátrica e metabólica: o que muda no manejo multidisciplinar?”, moderada por Henrique Yoshio Shirozaki (SP). A programação reuniu palestrantes de diversas áreas que abordaram os principais desafios da preparação e do acompanhamento desses pacientes.

A psicóloga Hilma Ribeiro Silva discutiu as dificuldades no acompanhamento emocional de pessoas com superobesidade, enquanto Cinthia Taglieri (SP) apresentou estratégias nutricionais essenciais no pré e pós-operatório. A fisioterapeuta Andreia Patrícia Lopes Cavalcanti (RJ) destacou a importância da pré-habilitação e dos cuidados motores, e Emilian Rejane Marcon (RS), do HC de Porto Alegre, explicou como a prescrição de exercícios adequada reduz riscos e potencializa resultados cirúrgicos.

Outros destaques incluíram as apresentações de Cynthia Meira de Almeida Godoy (RN), sobre o papel da mastigação na termogênese, e Sérgio Santoro dos Santos Pereira (SP), que diferenciou os efeitos dos hormônios intestinais naturais e farmacológicos, tema de crescente interesse clínico.

Compulsões e dependências: o cuidado não termina na cirurgia

Na sequência, a Mesa 02 – “Desmistificando dependências e compulsões em cirurgia bariátrica e metabólica” trouxe um olhar profundo sobre o impacto psicológico e neurobiológico do comportamento alimentar após a cirurgia.

Moderada pelo Dr. Guilherme Morais (MG), com debatedores de vários estados, a sessão abriu com a Dra. Myriam Moretto, que explicou como o metabolismo do álcool se altera após a cirurgia, alertando: “A abstinência precisa ser encarada com seriedade . Não existe ‘um pouquinho’.”

A nutricionista Caterine Frazão Lopes de Carvalho (AL) apresentou estratégias para reduzir compulsões alimentares, defendendo o uso de combinações alimentares inteligentes e o fracionamento das refeições. Já a psicóloga Ana Lúcia Ivatiuk (PR) destacou a importância da escuta ativa e da atenção aos sinais sutis de recaída emocional, lembrando que “a compulsão pode mudar de forma, mas continua existindo se o fator emocional não for tratado”.

Encerrando o painel, a médica Caroline Moraes Amaral Blat Migliorini (SP) ressaltou que a medicação deve ser apenas parte do tratamento, não o centro: “O tratamento, sempre que possível, deve buscar devolver ao paciente o poder de ser autor da própria história.”

O debate final reforçou a necessidade de acompanhamento permanente. “O sucesso da bariátrica não se mede apenas em quilos perdidos, mas na manutenção da saúde mental e da adesão ao tratamento”, resumiu uma das debatedoras.

Recorrência da obesidade: um desafio multidimensional

Durante a tarde, uma das mesas debateu o tema: “Recorrência da obesidade: qual é a visão e a abordagem de cada membro da equipe multidisciplinar?”, moderada por Murilo Rocha Rodrigues (RR). A mesa reuniu profissionais de sete especialidades para discutir as causas do reganho de peso e estratégias de prevenção.

O endocrinologista Fábio Rogério Trujilho (BA), presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), destacou a importância de individualizar o uso de novas medicações e entender o momento certo de reintroduzi-las. “A cirurgia não cura a obesidade. Ela é parte de um processo contínuo de controle da doença”, afirmou.

A nutróloga Marcella Garcez (PR) reforçou o papel dos análogos de GLP-1 e GIP no manejo de pacientes com recidiva, enquanto a nutricionista Mariana Silva Melendez Araújo (DF) lembrou que “não existe dieta ideal. Existe uma dieta possível, adaptada à vida real do paciente”.

Na dimensão emocional, a psicóloga Michele Pereira da Silva (DF) e a psiquiatra Gabriela Lemos Negri Rique (PB) ressaltaram a importância de abordagens combinadas entre psicoterapia e farmacoterapia.

O educador físico Hélder Gabriel Rodrigues da Silva (RS) destacou a atividade física como ferramenta terapêutica essencial, e o cirurgião Túlio Marcos Rodrigues da Cunha (DF) apresentou critérios para cirurgias revisionais, defendendo protocolos baseados em IA e avaliação multidisciplinar antes de novas intervenções.

O consenso final da mesa foi de que a recidiva da obesidade não é um fracasso, mas parte da jornada terapêutica. O sucesso, segundo os especialistas, está na integração entre corpo e mente, ciência e acolhimento.

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