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O segundo dia do 25º Congresso Brasileiro de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, realizado no Hotel Rafain Palace & Convention, foi marcado por debates de alto nível na Plenária 2 (Sala Itaipu). As discussões abordaram desde novas terapias nutricionais injetáveis até estratégias perioperatórias e benefícios metabólicos de longo prazo da cirurgia. A SBCBM também debateu Novas Diretrizes da cirurgia bariátrica, além das conferências magnas que discutiram desde ética até o histórico dos últimos 25 anos de cirurgia bariátrica.

A mesa da ABRAN, pela manhã, discutiu o tema “Terapias nutricionais injetáveis no paciente bariátrico”. Sob a moderação de Felipe Martin Bianco Rossi (SP), o debate reuniu especialistas de todo o país.

A Dra. Marcela Riccioppo Garcez Molina (SP) ressaltou a importância das clínicas de infusão no acompanhamento de pacientes após a cirurgia, afirmando que “a suplementação correta é essencial para manter o equilíbrio metabólico e evitar deficiências nutricionais graves”.

Em seguida, Dr. Edvaldo Guimarães Junior (SP) destacou que 40% dos pacientes não aderem adequadamente à suplementação pós-operatória, especialmente os mais jovens. Ele alertou que “a deficiência de tiamina pode causar síndromes neurológicas irreversíveis”, defendendo o uso criterioso e individualizado das vias injetáveis para prevenir complicações.

A endocrinologista Dra. Ana Valéria Ramirez (SP) apresentou dados sobre a saúde óssea após a bariátrica, enfatizando que a perda de massa magra e óssea é um desafio crescente. Segundo ela, “atividade física regular e adequada ingestão proteica são pilares para preservar o metabolismo ósseo e evitar fraturas”.

Encerrando o bloco, Dra. Carla Valéria de Andrade Viegas (RJ), do Instituto Fábio Viegas, apresentou evidências para a reposição endovenosa de ferro, lembrando que 70% dos pacientes desenvolvem deficiência nos primeiros cinco anos após a cirurgia. “A suplementação intravenosa é mandatória, independentemente da técnica cirúrgica, para prevenir anemia e fadiga crônica”, afirmou.

Novas diretrizes e conferências magnas

O dia também começou com o Momento SBCBM – Novas Diretrizes, moderado pelo presidente da SBCBM, Juliano Blanco Canavarros (MT), que também reuniu grandes nomes da cirurgia bariátrica nacional em apresentações curtas e objetivas sobre temas de alta relevância.

O Dr. Álvaro Antônio Bandeira Ferraz (PE), da UFPE, abriu o bloco discutindo as relações entre câncer e cirurgia metabólica. Em seguida, Dr. Felipe Martin Bianco Rossi (SP) abordou as novas recomendações para profilaxia do tromboembolismo venoso (TEV). A mesa também contou com Dr. Antonio Carlos Valezi (PR), que tratou da recidiva de peso, Dra. Anna Carolina Batista Dantas (RN), com foco na saúde da mulher, e Dr. Fernando de Barros (RJ), da UFF e DASA, que falou sobre as implicações hepáticas na obesidade e na cirurgia bariátrica.

Logo após, a Conferência Magna “The Soul of the Surgeon”, ministrada pelo renomado cirurgião Dr. Natan Zundel (Estados Unidos) e presidida por Paulo Eduardo Nunes Campelo (CE), trouxe uma reflexão sobre o papel humano, ético e emocional do cirurgião moderno. Na sequência, o endocrinologista espanhol Dr. Josep Vidal Cortada (Espanha) apresentou a conferência “Perda de peso após cirurgia metabólica bariátrica: qual o papel do tecido adiposo?”, destacando os mecanismos hormonais e inflamatórios que sustentam a perda de peso no longo prazo.

Encerrando o período da tarde, o cirurgião Dr. Thomas Szego (SP) foi o conferencista da Conferência Magna “25 anos de história da cirurgia bariátrica e metabólica e seus avanços tecnológicos”, presidida por Dr. Guilherme Fagundes Bassols (RS). Ele revisitou a trajetória da especialidade no Brasil, destacando as inovações que transformaram a cirurgia bariátrica em um dos procedimentos mais seguros e eficazes da atualidade.

Perioperatório do paciente bariátrico: segurança começa antes da cirurgia

O período da tarde iniciou com o painel “Perioperatório do paciente bariátrico: o que o cirurgião precisa saber”, moderado por Luiz Cláudio Lopes Chaves (PA). O bloco reuniu especialistas que discutiram as melhores práticas para otimizar resultados e reduzir riscos no pré e pós-operatório.

A Dra. Silvia Leite (DF) abriu o painel reforçando que a perda de peso pré-operatória não é obrigatória para todos os pacientes, mas pode ser indicada em casos de obesidade grave e comorbidades. “Ela ajuda a reduzir a esteatose hepática e melhora o perfil metabólico, mas não há evidência de que reduza complicações cirúrgicas”, destacou.

Na sequência, a Dra. Fernanda Mattos (RJ), da UFRJ, questionou a tradição da dieta líquida pré-operatória, mostrando que a evidência científica ainda é limitada. “Os protocolos ERAS mostraram segurança e aplicabilidade, mas a dieta líquida deve ser individualizada, especialmente em pacientes com IMC muito elevado”, pontuou.

A endocrinologista Dra. Flávia Siqueira Cunha (PA) abordou o manejo medicamentoso pré-operatório, com foco nos ajustes de medicamentos para diabetes e obesidade. “O sucesso da cirurgia bariátrica começa antes da cirurgia”, afirmou. Ela alertou sobre o risco de refluxo e broncoaspiração associado aos GLP-1 e apresentou recomendações internacionais sobre o tempo de suspensão desses fármacos.

O Dr. Guilherme Fagundes Bassols (RS), da Clinobeso, tratou da redução da hepatomegalia, reforçando que a perda de peso é a única estratégia comprovadamente eficaz. Segundo ele, “dietas hipocalóricas por 21 dias reduzem o fígado em até 20%, melhorando a segurança operatória”.

Encerrando o painel, Dra. Carla Valéria de Andrade Viegas (RJ) abordou a profilaxia do tromboembolismo venoso (TEV) em pacientes bariátricos, destacando a importância da estratificação de risco e da combinação de medidas farmacológicas e mecânicas personalizadas.

Tarde Metabólica: benefícios além do peso

A programação também abordou o tema “Tarde Metabólica: Benefícios Além do Peso”, moderada por Dr. Marcos Leão Vilas Boas (BA). O painel reuniu nomes internacionais e nacionais que apresentaram evidências sobre longevidade, custo-efetividade e impacto metabólico da cirurgia.

A Dra. Paulina Salminen (Finlândia) mostrou dados consistentes de que a cirurgia bariátrica está associada a maior longevidade e menor mortalidade cardiovascular, reforçando a importância de políticas públicas que ampliem o acesso aos procedimentos.

Em seguida, o Dr. Jaime Ponce (EUA) apresentou resultados de grandes estudos observacionais mostrando que a cirurgia reduz em 41% o risco de morte por eventos cardiovasculares (MACE). Ele destacou que “a cirurgia metabólica protege o coração de forma duradoura, reduzindo infarto, AVC e insuficiência cardíaca”.

O Dr. Tiago Szego (SP) abordou o tema “Cirurgia bariátrica e metabólica e medicamentos: custo-efetividade”, apresentando comparativos entre o custo da cirurgia e o uso de fármacos como semaglutida e tirzepatida. Segundo ele, “em dois anos, a cirurgia se paga e passa a custar menos para o sistema de saúde”.

Ele destacou que a perda de peso média é de 26% com o bypass, 23% com o sleeve, 8% com tirzepatida e 5% com semaglutida, concluindo que “a cirurgia é uma intervenção custo-efetiva, que oferece maior qualidade e expectativa de vida”. E enquanto um tratamento com GLP-1, ao longo de dois anos, pode custar entre R$ 43 mil e R$ 72 mil, uma cirurgia bariátrica e metabólica pode resolver a obesidade definitivamente por R$ 20 mil a R$ 60 mil, a depender do meio cirúrgico escolhido.

Encerrando o bloco, o endocrinologista Dr. Josep Vidal Cortada (Espanha) apresentou a palestra “DM2: de doença crônica a doença cirúrgica”. Ele defendeu que a cirurgia metabólica deve ser vista como uma opção terapêutica validada para diabetes tipo 2, e não como último recurso. “Ela não é a cura, mas redefine o curso da doença ao agir sobre suas bases metabólicas e hormonais”, afirmou.

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