Pesquisa indica um crescimento de 118% entre adultos no período entre 2006 e 2024
A Pesquisa Vigitel 2025 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), divulgada pelo Ministério da Saúde no início do mês de fevereiro, mostrou um crescimento de 118% na obesidade no país entre adultos, no período entre 2006 e 2024.
No mesmo período, também houve aumento expressivo nos casos de diabetes (135%), excesso de peso (47%) e hipertensão arterial (31%). Trata-se de doenças crônicas que avançam de forma associada, elevando significativamente o risco de complicações graves e de mortalidade precoce.
A pesquisa traça um panorama atualizado do perfil da população brasileira em relação aos fatores de risco e de proteção para o desenvolvimento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), incluindo hábitos alimentares, prática de atividades físicas e, pela primeira vez, aspectos relacionados ao sono.
O estudo também evidencia mudanças preocupantes no estilo de vida da população. A prática de atividade física como meio de deslocamento caiu de 17% para 11,3%, enquanto 42,3% dos adultos relataram realizar atividades físicas no tempo livre. O consumo regular de frutas e hortaliças permanece em torno de 31%. Em relação ao sono, tema incluído pela primeira vez no levantamento, os dados apontam que 20,2% dos adultos dormem menos de seis horas por noite e 31,7% apresentam sintomas de insônia.
Os resultados referentes à obesidade corroboram dados já apresentados pela SBCBM e reforçam a gravidade do cenário no país.
Para a SBCBM, os números reforçam a urgência de ampliar políticas públicas efetivas e garantir acesso ao cuidado integral da pessoa com obesidade, desde a atenção básica até o tratamento clínico e cirúrgico, nos casos indicados. “Enfrentar a obesidade é enfrentar uma das maiores emergências de saúde pública do nosso tempo. Precisamos dar mais acesso a cirurgia pelo SUS”, afirma o presidente da entidade, Juliano Canavarros.
A SBCBM também destaca que a cirurgia bariátrica é, atualmente, o tratamento com maior eficácia e melhores resultados a longo prazo para os casos indicados de obesidade. No entanto, apesar da alta prevalência da doença, menos de 1% das pessoas com indicação clínica conseguem ter acesso ao procedimento, o que evidencia a necessidade de ampliar as políticas públicas de prevenção, diagnóstico e tratamento da obesidade no Brasil.