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pessoas sentadas num palco numa roda de debate, escrito no telão "superobesidade"

A manhã desta quarta-feira (22) no 25º Congresso Brasileiro de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, promovido pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), foi marcada por intensas discussões sobre superobesidade, condição em que o paciente apresenta índice de massa corporal (IMC) acima de 50 kg/m² e que representa um dos maiores desafios da cirurgia metabólica moderna.

O bloco de palestras sobre o tema, moderado pelo Dr. Caetano Marchesini (PR), reuniu nomes nacionais e internacionais de referência, incluindo José Afonso Sallet (SP), Josep Vidal Cortada (Espanha), Igor Marreiros Pereira Pinto (RN) e Paulina Salminen (Finlândia). O debate contou ainda com a participação dos debatedores Eudes Paiva de Godoy (RN), Jorge Luiz de Mattos Zeve (TO), José Aparecido Valadão (MA) e Paula Ayres Kalume Reis (DF).

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Balão intragástrico e novas terapias no preparo do superobeso

Abrindo a sessão, o Dr. José Afonso Sallet (SP) abordou o papel do balão intragástrico como ponte terapêutica antes da cirurgia, especialmente em pacientes com IMC muito elevado. Ele destacou que a perda estratégica de 10% a 15% do peso corporal pode reduzir riscos cirúrgicos, melhorar a exposição laparoscópica e aumentar a segurança anestésica.

Ainda segundo o especialista, mesmo com o avanço dos agonistas de GLP-1 e GIP, o balão ainda tem espaço relevante, principalmente em casos de hepatomegalia ou resistência a medicamentos. “A integração entre as equipes cirúrgica e endoscópica é o que define o sucesso nesses pacientes de alto risco”, ressaltou.

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Na sequência, o Dr. Josep Vidal Cortada (Espanha) apresentou um panorama sobre o uso dos agonistas de GLP-1/GIP (como semaglutida e tirzepatida) no manejo da superobesidade. Ele mostrou que, sob supervisão médica, essas medicações podem reduzir até 12% do peso corporal em um ano, facilitando o preparo pré-operatório.

Apesar dos resultados promissores, Vidal alertou que faltam evidências robustas em pacientes com IMC acima de 60 kg/m². “Ainda precisamos de estudos específicos nessa população, mas é inegável que o futuro será multimodal, combinando medicamentos e cirurgia para resultados mais seguros”, afirmou.

Abordagens cirúrgicas: um ou dois tempos?

O Dr. Igor Marreiros Pereira Pinto (RN) trouxe a discussão para o campo cirúrgico com a palestra “Cirurgia primária ou em dois tempos: qual é a melhor estratégia na superobesidade?”.

Ele explicou que o método tradicional “Sleeve First” (gastrectomia vertical como primeira etapa) ainda é uma abordagem segura para reduzir risco anestésico e metabólico. No entanto, destacou os bons resultados obtidos com a bipartição intestinal isolada (BII), técnica reversível e de baixo tempo operatório (35 – 40 minutos), que permite perda gradual e melhora clínica significativa.

Em sua experiência, pacientes com IMC médio de 71 kg/m² tiveram perda de 13,6% do peso total até o segundo estágio e baixa taxa de complicações graves (7,4%). “A BII se mostra uma alternativa equilibrada entre segurança, simplicidade e custo-benefício”, concluiu.

Além da balança: alinhar expectativas é essencial

A Dra. Paulina Salminen (Finlândia) discutiu a importância de alinhar expectativas entre paciente e cirurgião. Segundo ela, o sucesso do tratamento não deve ser medido apenas em quilos perdidos, mas também em melhora de saúde, mobilidade, autoestima e qualidade de vida.

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A especialista enfatizou que uma comunicação clara sobre riscos, metas e resultados esperados é essencial para o engajamento e a satisfação do paciente. “O sucesso começa com uma conversa honesta. O paciente precisa entender que cirurgia é um ponto de partida, não um ponto final”, afirmou.

Personalização é a chave

Durante o debate, os especialistas reforçaram que a superobesidade requer estratégias individualizadas, integrando recursos clínicos, endoscópicos e cirúrgicos. Embora os análogos de GLP-1 e o balão intragástrico possam auxiliar no preparo pré-operatório, a indicação cirúrgica precoce ainda é considerada fundamental em casos de obesidade extrema. Também houve consenso sobre a importância do acompanhamento multidisciplinar e contínuo, com foco no controle emocional e no suporte nutricional.

Como destacou um dos debatedores, “não existe protocolo único. Cada paciente precisa de uma estratégia personalizada, equilibrando segurança e resultado”.

Fundamentos da obesidade abriram a programação

Antes da sessão de superobesidade, a mesa “Fundamentos da Obesidade” abriu a programação científica do dia, moderada pela Dra. Anna Carolina Batista Dantas (RN).

Entre os temas abordados estiveram “A obesidade como doença genética” (Tarissa Beatrice Zanata Petry – SP), “Microbioma e aumento de peso” (Flávia Siqueira Cunha – PA), “Ácidos biliares e obesidade” (Denis Pajecki – SP), “Hipogonadismo e obesidade” (Aleteia Patrícia Casarotto Vidal – SP), “Neuroinflamação como causa ou consequência da obesidade” (Cíntia Cercato – SP) e “O controle glicêmico pelo cérebro” (Sérgio Santoro dos Santos Pereira – SP).

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