O segundo dia da Plenária 1, quarta-feira (23), do 25º Congresso SBCBM de Cirurgia Bariátrica e Metabólica foi repleto de novidades e debates importantes. A sala foi aberta às 8h com a sessão “Pulo do Gato: Desafios Intraoperatórios na Cirurgia Bariátrica e Metabólica”, seguido da segunda quartas de final da Baricopa.
A tarde também foi movimentada, iniciando ao meio dia com o Simpósio Satélite “Marlex: O Futuro do Tratamento da Obesidade. Cabe uma Visão de 360º?”com a Plenária lotada.
Na sequência, uma estreia, o Barivoice Brasil com o tema “Qual Técnica Escolher na Prática?”, no qual quadros clínicos são apresentados, questionados por especialistas e julgados pela plateia.
Após o Barivoice Brasil, foi a vez da Conferência Magna “Aonde Estão Os Pacientes: Porque Operamos Menos De 1% Dos Candidatos A Cirurgia Bariátrica E Metabólica?”. A Mesa CBCD encerrou o segundo dia de Congresso na Plenária 1.
Pulo do Gato
O “Pulo Do Gato: Desafios Intraoperatórios Na Cirurgia Bariátrica E Metabólica Cirurgião” foi mediado por Alexandre Amado Elias (SP) e reuniu um debate entre Rafael Meneguzzi Alves Ferreira (SP), Leonardo Porto Sebba (MT) e Ana Carolina Caldeira Carvalho Fernandes (DF). Os participantes discutiram os principais desafios e avanços da área, apresentaram argumentos complementares sobre as práticas profissionais e trouxeram exemplos práticos que ilustraram as transformações recentes.
A série de palestras técnicas abordou situações críticas e estratégias eficazes no centro cirúrgico. Wilson de Barros Cantero (MS) discutiu o gerenciamento do sangramento intraoperatório, destacando técnicas e táticas que auxiliaram na redução de riscos e complicações. Em seguida, Fabio Almeida Santos (SE), do SIGO de Aracaju, compartilhou experiências sobre como manter a calma e o controle diante de situações inusitadas durante o ato cirúrgico. Vinicius Araújo de Sousa Reis (AP) tratou dos desafios relacionados a fígados volumosos, apresentando abordagens e cuidados essenciais para garantir segurança e precisão. Carlos Frota Dillenburg (RS) abordou os casos de situs inversus e vícios de rotação, explicando as condutas adequadas quando a anatomia não segue o padrão. José Alfredo Sadowski (PR) apresentou táticas para minimizar riscos em pacientes com fundoplicaturas prévias, enquanto Thomas Szego (SP) encerrou discutindo estratégias para superar dificuldades quando a alça não ascendia conforme o planejado.
Foram analisadas questões éticas, perspectivas regulatórias e propostas de aprimoramento das rotinas de trabalho, além de abordar inovações tecnológicas e seus impactos no cotidiano das equipes. Ao longo do encontro, cada debatedor expôs sua experiência regional, sinalizou prioridades para políticas públicas e identificou oportunidades de cooperação entre diferentes estados, culminando em recomendações objetivas para aprimorar formação e fiscalização no setor.
“No segundo dia do congresso de cirurgia, os participantes destacaram a importância de sessões como o Pulo do Gato, que abordaram situações inusitadas do centro cirúrgico, incluindo fígados volumosos, sangramentos e variações anatômicas. Essas apresentações permitiram que tanto jovens cirurgiões quanto profissionais experientes aprendessem estratégias práticas e seguras para lidar com desafios raros, reduzindo riscos e oferecendo melhor tratamento aos pacientes. A experiência compartilhada por diferentes especialistas trouxe mais segurança, conforto e inspiração, reforçando que esse tipo de sessão deveria ser incluída em todos os congressos”, conta o doutor Alexandre Elias.
Quartas de final da Baricopa
A Baricopa teve moderação de Luiz Vicente Berti (SP) – também idealizador do projeto – e contou com a participação de diversos debatedores renomados: Sergio Aparício Yuja (Bolívia), Marcelo Lo Chi Hsien, Luís Ernesto Lopez (Colômbia), Renato Souza da Silva (RS) e Cláudio Renato Penteado de Luca Filho (SP).
O encontro promoveu uma troca de experiências entre profissionais de diferentes países, que compartilharam perspectivas sobre técnicas cirúrgicas, avanços regionais e desafios comuns na prática bariátrica e metabólica. A troca de experiências ampliou a compreensão sobre protocolos, segurança e resultados clínicos
“Acabamos agora a segunda quartas de final da Baricopa. O evento já é um sucesso consolidado há muitos anos, não apenas no Brasil, mas também internacionalmente. É nesses momentos que o cirurgião aprende de verdade: ao assistir a uma cirurgia de forma interativa, como se fosse um jogo de futebol, pausando o vídeo nos trechos mais interessantes para que os professores expliquem a decisão tomada e os motivos por trás dela. Assim, vai muito além de simplesmente apresentar uma aula ou um trabalho, é mostrar na prática, de maneira real e imediata, aquilo que fazemos de melhor na cirurgia”, conta o doutor Luiz Vicente Berti.
Simpósio Satélite – Marlex: O Futuro do Tratamento da Obesidade. Cabe uma visão 360º?
A abertura do evento foi realizada pelo presidente e fundador da Marlex, Michael Trebien. A sessão contou com a moderação de Bruno Zilbertstein e a participação dos debatedores Thiago Sivieri (SP) e Fabio Almeida Santos (SE), do SIGO de Aracaju. Luiz Vicente Berti (SP) apresentou perspectivas sobre o que se esperava para os próximos 10 anos da cirurgia bariátrica, enquanto Juliano Blanco Canavarros (MT), do Gastro MT, abordou a custo-efetividade no tratamento da obesidade. Durante o Cross-Fire Bariátrico & Painel Interativo, coordenado por Luiz Vicente Berti, Alexandre Amado Elias (SP) e José Afonso Sallet (SP), discutiram cirurgia revisional robótica versus laparoscópica, e Felipe José Koleski (SC), do Hospital Santa Catarina B, junto com Nilton Kawahara (SP), compararam OAGB e cirurgia duodenal. A sessão foi encerrada com Michael Trebien apresentando soluções estratégicas para o tratamento da obesidade.
Barivoice Brasil: Qual Técnica Escolher na Prática?
Um novo formato interativo, divertido e extremamente criativo despertou a curiosidade dos participantes do Congresso SBCBM: o Barivoice Brasil, idealizado pelo doutor Alexandre Amado Elias (SP). A dinâmica foi pensada para transmitir conhecimento de forma lúdica, envolvendo a plateia na avaliação de casos clínicos desafiadores, com especialistas girando suas cadeiras e tornando a dinâmica ainda mais surpreendente.
Nesta primeira edição, os participantes apresentaram seus casos, compartilharam as dificuldades enfrentadas, explicaram a técnica escolhida para o tratamento e os resultados pós-cirurgia. O público teve a oportunidade de votar e eleger os melhores cases apresentados.
Conferência Magna: Aonde Estão Os Pacientes: Porque Operamos Menos de 1% dos Candidatos à Cirurgia Bariátrica e Metabólica
A palestra foi conduzida pelo conferencista Ricardo Cohen (SP) e presidida por Marcal Rossi (SP), na Sala Cataratas do Iguaçu, Plenária 1. A sessão abordou os desafios que limitam o acesso dos pacientes à cirurgia bariátrica e metabólica, discutindo fatores clínicos, estruturais e sistêmicos que explicam por que apenas uma pequena parcela dos candidatos é efetivamente operada. Foram apresentadas análises sobre barreiras de encaminhamento, seleção de pacientes e estratégias para ampliar a cobertura e o impacto da especialidade.
Mesa Redonda – Mesa CBCD
A mesa foi moderada por Wilson Rodrigues de Freitas Junior (SP) e contou com a participação de Soraya Rodrigues de Almeida Sanches (MG), Reynaldo Martins e Quinino (RN), César Giovani Conte e Paulo Afonso Nunes Nassif (PR) como debatedores. Marco Aurélio Santo (SP), da Faculdade de Medicina da USP, apresentou os riscos e condutas pós-operatórias em pacientes com esôfago de Barrett após cirurgia bariátrica e metabólica. Em seguida, Elinton Adami Chaim (SP) abordou o refluxo biliar pós-OAGB, discutindo diagnóstico, manejo e alternativas terapêuticas. Álvaro Antônio Bandeira Ferraz (PE), da UFPE, trouxe informações sobre o câncer após cirurgia bariátrica e metabólica, detalhando o que se sabe sobre a incidência e acompanhamento desses casos. Por fim, Luiz Augusto Carneiro D’Albuquerque (SP) apresentou orientações sobre cirurgia bariátrica e metabólica em pacientes submetidos a transplante hepático, esclarecendo quando intervir e o que esperar dos resultados.