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A Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) vem conquistando importante espaço no cenário político nacional, por meio da sua diretoria e dos seus capítulos regionais.

Apenas nesta semana, nos dias 14 e 15 de outubro, foram três momentos importantes: a representação da Câmara Técnica de Cirurgia Bariátrica do CFM – em audiência pública promovida pelas comissões de Saúde e do Esporte da Câmara dos Deputados para debater a “Agenda Legislativa 2025 do Painel Brasileiro de Obesidade” – ,  a participação em Audiência Pública, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul,  para criação do Estatuto da Pessoa com Obesidade e a menção honrosa à cirurgiões bariátricos do Paraná, na Assembleia Legislativa do Estado, devido ao trabalho realizado como médicos.

“Estamos trabalhando no sentido de dar voz aos pacientes que precisam do tratamento cirúrgico da obesidade em todo o país. Nossos diretores, presidentes  e integrantes de Capítulos, assim como muitos cirurgiões associados estão fazendo esta frente regionalmente de maneira exemplar e os benefícios, obviamente, refletem positivamente para o paciente que necessita de apoio”, afirma o presidente da SBCBM, dr Juliano Canavarros. Ele acredita que as políticas públicas são ferramentas fundamentais para a mudança no cenário nacional no que se refere ao crescimento da obesidade.

Brasília –  Na Câmara dos Deputados, representando o CFM, o médico Álvaro Albano, integrante da Câmara Técnica de Cirurgia Bariátrica e Metabólica da autarquia, participou da audiência pública. Ele alertou que a obesidade é a maior epidemia do século XXI e requer ações urgentes e coordenadas do poder público.

“Deixamos de tratar a obesidade como um problema de comportamento individual para reconhecê-la como uma doença crônica, multifatorial e de base genética, com evidências científicas robustas. O erro histórico de culpar o paciente contribuiu para os números alarmantes que temos hoje”, afirmou.

O representante do CFM destacou ainda o avanço das terapias medicamentosas e cirúrgicas no controle da obesidade. “Os análogos hormonais simples ou combinados já proporcionam 10% a 20% de perda de peso, enquanto a cirurgia bariátrica pode reduzir 30% a 40% do peso corporal”, disse.

Rio Grande do Sul 

Já no Rio Grande do Sul, o Dr Guilherme Bassols, que integra a Comissão de Relações Intersocietárias da SBCBM, esteve na Assembleia Legislativa do Estado, para debater  a criação do Estatuto da Pessoa com Obesidade. A iniciativa é da deputada estadual e paciente bariátrica, Laura Sito, e visa transformar  o estatuto em Lei e regulamentar o direito das pessoas com obesidade.

No Rio Grande do Sul, a situação é preocupante. Segundo o IBGE, mais de 58% da população adulta do estado está acima do peso, e cerca de 22% vivem com obesidade, índices superiores à média nacional. “No Brasil menos de 1% dos pacientes candidatos à cirurgia bariátrica realizam o procedimento. Isso por dificuldade de acesso, custo, desinformação, medo das pessoas”, disse.  Ele reforçou ainda o impacto da obesidade, associada a diabetes tipo 2, doenças vasculares, hipertensão, doenças cardiovasculares, apneia do sono, infertilidade e diversos tipos de câncer. 

Paraná 

No Estado do Paraná, cirurgiões bariátricos que integram o Capítulo e também comissões da SBCBM foram homenageados pela Assembleia Legislativa os médicos Dr Paulo Nassif, Dr. Gustavo Castro,  Dr Lucas Savoia e Dr Alcides Branco.

A solenidade – que celebrou a dedicação e o trabalho árduo dos profissionais de saúde em todo o estado – foi  proposta pelos deputados Alexandre Curi (PSD) e Ney Leprevost (União), contou com a presença de autoridades, médicos e familiares.

Dados 

Dados do Atlas da Obesidade mostram a rápida evolução da obesidade no País: em 2010, 15% da população apresentava obesidade; em 2021, o índice subiu para 22%, e a projeção para 2025 é de 31%. A previsão para 2044 é ainda mais grave: 48% dos adultos com obesidade e 75% da população acima do peso, segundo estimativas da Fiocruz.

O impacto econômico também é expressivo: os custos diretos e indiretos da obesidade no Brasil chegam a US$38,7 bilhões por ano, com projeção de aumentar de 2% para 3,8% do PIB até 2060. “Estamos perdendo essa guerra. Se as políticas continuarem as mesmas, o cenário futuro será devastador”, advertiu o médico.

De 2020 a 2024, foram realizadas 291.731 cirurgias bariátricas no Brasil – 260.380 pela rede privada e apenas 31.351 pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o que representa uma cirurgia pública para cada nove realizadas no setor privado

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