Dieta e Obesidade

Artigo Saúde Alimentar COESAS SBCBM – Junho de 2017

O termo dieta vem do grego diaita = modo de vida , não um regime. Para a ciência da nutrição, a dieta é entendida como um padrão alimentar além de estar relacionada às dietas terapêuticas. As dietas terapêuticas são as modificações do padrão normal de dieta de acordo com as recomendações nutricionais que visam atender as necessidades específicas, as desenvolvidas no ambiente hospitalar.

Atualmente, surgem dietas de emagrecimento, com privação parcial de alimentos ou de nutrientes como por exemplo restrição de carboidratos. A ampla disseminação e valorização destas dietas estão diretamente relacionadas ao atual conceito sociocultural de beleza. A rápida disseminação das dietas restritivas na atualidade é muito maior do que o progresso científico nesta área, nos deparamos com uma infinidade de dietas sem nenhum embasamento científico.

Mas, o que sabemos, sob o ponto de vista científico sobre as dietas (Alvarenga et al, 2016)?

  • ✓  inúmeros estudos mostram que as dietas não funcional para promover a perda de peso à longo prazo
  • ✓  trazem inúmeros efeitos danosos, tais como clínicos, físicos e emocionais/psicológicos
  • ✓  promovem obsessão por comida
  • ✓  são responsáveis por promover transtornos alimentares e levar à obesidade.Os mecanismos referentes as falhas da dieta na obesidade são explicadas por causarem (Garner & Wooley, 1991; Ochener et al, 2013; Sumithran & Proietto, 2013):
  1. a)  alterações importantes no metabolismo energético e na composição corporal
  2. b)  aumento da eficiência calórica promovendo assim o “efeito sanfona” – ciclo deperda-ganho (weight-cycling)
  3. c)  distúrbios neuroendócrinos
  4. d)  episódios de descontrole alimentar

Associado à estes, outros estudos demonstram que há dificuldade em aderir à uma dieta específica, quando o ambiente alimentar não é favorável e a rotina de trabalho impede a realização das refeições, o contexto da vida moderna (Greaney et al, 2012).Ressaltamos ainda, que as dietas concentram-se de forma exclusiva no indivíduo, não considerando o contexto que o indivíduo vive e nem as suas escolhas alimentares (Poulain, 2004).

Ao analisarmos, as possíveis “vantagens metabólicas” de uma dieta sobre outra para a redução de peso, constatamos que não existem evidência científicas, ou seja a redução é decorrente do déficit energético e na da composição da dieta.Os portadores de obesidade orientados a realizar uma dieta pobre em gorduras ou em carboidratos, acabam naturalmente escolhendo e ou realizando dietas pobres em energia (Freedmann et al,2001).

Além disso, as alterações das sensações de fome, apetite e saciedade são consideradas uma das piores consequências da realização de dietas restritivas. Em indivíduos suscetíveis, a desregulação do controle da fome e da saciedade é uma das explicações para as compulsões e transtornos alimentares desencadeados pelas dietas restritivas (Nisbett & Hunger, 1972; Polivy & Herman, 2006; Sumithran & Proietto, 2013; Ochner et al, 2013).

Na década de 90, Polivy já discutia o panorama das dietas, uma “fórmula” que não resolve o problema da obesidade, escrevendo:

“ …dado o aumento da obesidade no mundo ocidental desde 1970, quando a ética da dieta começou a dominar a consciência da sociedade, pode-se afirmar que a ênfase na dieta contribuiu para o aumento o sobrepeso”…

Dietas restritivas não constituem o tratamento da obesidade! A autora ressalta ainda que:

“… uma visão desapaixonada sugere que talvez a prática de dietas seja o transtorno que nós deveríamos

Obesidade não têm cura, têm tratamento!

Autoras:

Silvia Elaine Pereira Loraine De Moura Ferraz Carina Rossoni
Tamirez Precybelivicz Iolanda Gonçalves

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