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A última tarde do 25º Congresso Brasileiro de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) foi marcada por debates que uniram tecnologia de ponta e cuidado humano. De ferramentas de inteligência artificial a novos métodos cirúrgicos e discussões sobre desafios clínicos cotidianos, a programação de sexta-feira (24) encerrou o evento com uma clara mensagem: o futuro da bariátrica é digital, colaborativo e centrado no paciente.

A rodada de tecnologia teve como presidente e moderador da mesa o cirurgião Álvaro Albano de Oliveira Neto (BA) e como debatedores os médicos Eduardo Pachu Raia dos Santos (PB), Caetano Marchesini (PR) e André Vicente Bigolin (RS).

A revolução da Inteligência Artificial (IA) na medicina

O cirurgião Dr. Carlos Eduardo Domene (SP) apresentou a palestra “Uso da Inteligência Artificial no planejamento e tomada de decisões”, um dos momentos mais aguardados da plenária. Demonstrando vídeos de cirurgias assistidas por IA, ele mostrou como algoritmos já são capazes de identificar estruturas anatômicas em tempo real, prever riscos e sugerir condutas, tornando os procedimentos mais precisos e seguros.

Domene destacou que a inteligência artificial já está presente em todas as etapas da jornada médica, do diagnóstico ao acompanhamento pós-operatório. E a sua adoção será inevitável. “A IA vai participar de toda a vida do ser humano, da concepção à morte. Hoje, o bem mais valioso do mundo não é o dinheiro, é a informação”, afirmou.

O especialista também reforçou que a tecnologia não substitui o médico, mas amplia sua capacidade de decisão. Para ele, o futuro da medicina está na soma das inteligências: “IA + IH = IC, ou seja, Inteligência Artificial mais Inteligência Humana resulta em Inteligência Colaborativa”, concluiu ele.

Cirurgias robóticas e à distância: o futuro já começou

Conectado diretamente dos Estados Unidos, o cirurgião Dr. Márcio Covas (PR) apresentou duas palestras que exploraram o avanço da robótica: “Telecirurgia: o futuro da cirurgia à distância” e “Novas plataformas robóticas”. Ele compartilhou experiências reais de operações realizadas entre países como Brasil, China, Estados Unidos e Índia, realizadas por ele, com distâncias superiores a 15 mil quilômetros, e ainda assim com precisão e segurança.

Segundo o médico, o “delay” de apenas milissegundos não compromete a execução cirúrgica e representa uma revolução no acesso à saúde. Ainda reforçou que telecirurgia leva especialistas a pacientes que vivem longe dos grandes centros, o que ele chamou de democratização do conhecimento médico em tempo real.

Covas também destacou que as plataformas robóticas reduzem dor, tempo de internação, sangramentos e cicatrizes, além de acelerar a recuperação pós-operatória.

Aplicativos e dados: tecnologia a serviço do paciente

O Dr. Isaac Walker de Abreu (ES) apresentou o Barilife, aplicativo oficial da SBCBM. Mais do que uma “carteirinha digital” para pacientes bariátricos, o app oferece descontos em restaurantes, acompanhamento da jornada de emagrecimento e, em breve, permitirá incluir cirurgias revisionais e informações sobre o tipo de financiamento da operação (SUS, plano ou particular).

“Os dados do Barilife são o maior ativo da SBCBM e vão gerar conhecimento, políticas públicas e novas fontes de receita para a sociedade. Seguimos inovando com responsabilidade e propósito”, afirmou o Dr. Isaac, sob aplausos do público.

Inovação nas anastomoses: técnica magnética promete avanços

O cirurgião Dr. Jaime Ponce (EUA) apresentou a palestra “Uso de novas tecnologias em anastomoses digestivas”, introduzindo a técnica Magnetic Compression Anastomosis (MCA), em tradução: anastomose por compressão magnética. O método usa anéis magnéticos para unir tecidos do trato gastrointestinal, dispensando suturas e grampos, o que reduz o trauma e o tempo cirúrgico.

Segundo Ponce, a MCA é promissora para cirurgias bariátricas e metabólicas, mas ainda requer ensaios clínicos em larga escala para consolidar sua eficácia e durabilidade.

Da consulta ao consultório: desafios clínicos e humanos

Antes do bloco tecnológico, a tarde começou com o painel “Desafios do dia a dia no consultório”, moderado por Raul Andrade Mendonça Filho (SE), com a participação de especialistas de várias regiões do país.

A ginecologista Drª Bruna Pitaluga Peret Ottani (DF) discutiu “Obesidade e fertilidade: barreiras, mitos e avanços no tratamento da (in)fertilidade”, destacando que a obesidade interfere diretamente nos hormônios e na ovulação, sendo causa comum de infertilidade feminina. “A cirurgia bariátrica restaura o equilíbrio hormonal e aumenta as chances de gestação, mas exige planejamento e acompanhamento multidisciplinar”, ressaltou.

O Dr. José Antônio Pires dos Santos, cirurgião plástico, apresentou “Lipedema: diagnóstico diferencial e abordagem multidisciplinar”, chamando atenção para uma doença ainda subdiagnosticada e frequentemente confundida com obesidade. Ele defendeu maior inserção do tema nas faculdades e políticas públicas.

Em seguida, o Dr. Mariano de Almeida Menezes (MS) abordou “Testosterona, libido e cirurgia bariátrica: o que precisamos considerar?”. O especialista explicou que até 70% das mulheres e 55% dos homens com obesidade têm disfunção sexual e que a cirurgia bariátrica pode reverter parte desse quadro. Porém, isso requer acompanhamento psicológico e clínico contínuo.

Encerrando o bloco, o Dr. Luiz Fernando Córdova de La Quintana (DF) discutiu “Saúde óssea após a cirurgia bariátrica”, alertando para o risco de osteoporose e fraturas em pacientes com baixa absorção de cálcio. Ele apresentou um caso clínico que ilustrou a importância do seguimento a longo prazo e da reposição adequada de nutrientes.

A médica Ana Karina Soares Alves (SP) ainda falou sobre a “Hipoglicemia pós-bariátrica: qual a real frequência e impacto na qualidade de vida?”, enquanto a médica Anna Carolina Batista Dantas (RN) dedicou a sua fala ao tema “Conceituando resultado em cirurgia bariátrica e metabólica”.

A rodada de palestras sobre os “Desafios do Dia a Dia no Consultório” foi presidida pelo médico RAul Andrade Mendonça Filho (SE) e teve como debatedores dos temas os médicos João Paulo Neto (MT), Sílvia Leite (DF) e Guilherme Frederico Rojas Silva (MS).

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