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As discussões do Núcleo de Saúde Alimentar (COESAS) da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) levantaram importantes questões sobre o tratamento multidisciplinar da obesidade.

O Núcleo de Saúde Alimentar teve sua programação realizada, nesta sexta-feira (08), durante o XIX Congresso Brasileiro de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, em Fortaleza. Presidido pela nutricionista Silvia Pereira (RJ), as palestras do núcleo focaram em reforçar, sobretudo, a importância da intervenção nutricional no tratamento cirúrgico da obesidade.

Um dos pontos destacados por Silvia foi o quadro de Hipoglicemia Reativa (HR) em pacientes bariátricos pós-operados. Segundo ela, essa é uma possível complicação que inspira cuidados. “Ela não é muito comum, mas requer atenção”. A profissional acrescentou, ainda, que tratamento da HR é essencialmente por meio de dietas controladas, inclusão de fibras e carboidratos de baixo índice glicêmico, além de alimentos ricos e proteína e que sejam fonte de gordura boa.

Fazendo um levantamento sobre os impactos que as intolerâncias e alergias alimentares causam na saúde nutricional do paciente pós-operado, a nutricionista Tamires Precybelivicz (PR) apresentou as possíveis reações pós-operatórias, de acordo com o procedimento cirúrgico realizado (bypass, sleeve e banda gástrica).

Ela ressaltou que entre os procedimentos, a banda gástrica é a que mais apresenta queixas. “Inclusive, um terço dos casos de remoção da banda são atribuídos à intolerância alimentar. Nós podemos observar que há uma tolerância alimentar maior em pacientes que participam de um grupo nutricional pré-operatório e ativamente do controle pós-operatório. A cirurgia bariátrica é uma excelente maneira de perda de peso e resolução de co-morbidade associadas, porém, cabe ao nutricionista utilizar artimanhas para a redução de sintomas associados às intolerâncias e alergias alimentares, após a cirurgia, pensando que esse paciente precisa manter a qualidade de vida”, completa.

Márcia Magalhães (BA), por sua vez, falou do tratamento nutricional em casos de cirurgia bariátrica em adolescentes. Para ela, há a necessidade de se ajustar a conduta nutricional ao adolescente que se prepara para a cirurgia.  “Em geral, adolescentes sabem mais sobre alimentos que fazem mal, do que sobre aqueles que fazem bem. Ou seja, nós enquanto nutricionistas precisamos falar mais sobre os alimentos considerados saudáveis, desmistificando essa ideia que os adolescentes têm de que toda dieta saudável tem que necessariamente se tratar de uma alimentação sem sabor e sem carinho”, aponta. Ela destaca, ainda, que a adequação alimentar no pós-operatório também é essencial para a otimização e manutenção da perda de peso, pontuando questões que normalmente representam desafios para os adolescentes, como o tempo de refeição e de mastigação. Márcia finaliza: “Na minha opinião, além de tudo isso, é importante adotar uma postura positiva em relação a perda de peso nos adolescentes bariátricos, mesmo que ela seja relativamente baixa. Precisamos sempre buscar encorajá-los a continuar perdendo peso, ao invés de ressaltar que o resultado não é o desejado”.

Além desses temas, palestras sobre os aspectos neurocomportamentais na obesidade, fatores relacionados a recidiva da obesidade e simpósio com foco na pesquisa em nutrição clínica e bariátrica, marcaram as atividades desenvolvidas pelo  Núcleo de Saúde Nutricional da SBCBM no Congresso

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