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Prática proibida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), mas comum nas redes sociais, o uso de imagens de “antes e depois” foi pauta de debate sobre os limites éticos do marketing digital no XXII Congresso Brasileiro de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, no curso de Gestão e Marketing em Cirurgia Bariátrica. 

Os palestrantes avaliaram as estratégias e limites éticos do marketing digital e das redes sociais e chegaram na mesma conclusão sobre o uso destas imagens. Segundo os especialistas, a forma que essas divulgações são realizadas acaba municiando críticos à cirurgia bariátrica.

“Eu não sou contra o antes e depois. A forma que ela é feita que é feia. Falar sobre o que mudou, de como a pessoa está mais saudável, é diferente de mostrar uma foto de uma moça obesa mórbida ao lado da mesma pessoa magra e de biquíni na praia. Essas imagens considero agressivas e até circenses”, afirma Szego.

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Segundo Thiago Patta, o compartilhamento de imagens “antes e depois” de pacientes após 2 anos de cirurgia, no ápice do tratamento, dá abertura para o recebimento de críticas ao tratamento. “Para quem está de fora, e encontra essa pessoa depois de alguns anos com eventual recidiva, acaba tendo uma má impressão sobre a cirurgia bariátrica”, comenta Patta. 

Para Vinicius Reis, o desafio é mostrar antes e depois de 10 anos de cirurgia. “É onde teríamos condições de apresentar aos nossos pacientes os verdadeiros resultados da potência desse tratamento”, reflete o cirurgião. 

Segundo Thomas Szego, o médico precisa se comunicar na língua dos pacientes e não apenas no ‘mediquês’. “O médico fala em patologia. É doença. O resumo das três aulas em uma palavra é: educação”, reforçou Szego.

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Reflexão sobre uso positivo das redes sociais

Ainda abordando o uso de redes sociais, Guilhermino Nogueira chamou atenção para as publicações com conteúdos que destacam possíveis consequências e efeitos colaterais da cirurgia bariátrica. 

“Uma coisa que médico faz, que não é antiético mas acredito que é equivocado, são os conteúdos destacando pontos negativos e possíveis efeitos colaterais da cirurgia como a possibilidade de desenvolver quadros de colelitíase ou deficiências vitamínicas ao invés de destacar os benefícios e melhora da saúde do paciente”, destaca Bassols.

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Curso de Gestão e Marketing em Cirurgia Bariátrica e Metabólica 

Pelo segundo ano, a SBCBM promove o curso de Gestão e Marketing em Cirurgia Bariátrica durante a programação do Congresso. Nesta edição, os limites éticos do marketing; o relacionamento com hospitais e operadoras de saúde; o novo da ANS; e processos judiciais foram os temas principais das aulas.

Além de Thomas Szego, Guilhermino Nogueira, Leonardo Sebba, Vinicius Reis e Thiago Patta participaram do curso Luiz Fernando Ribas, Alex Leão de Paula Villas Boas, Leonardo Emílio da Silva, Renato Glasmeyer, James Câmara de Andrade e Laura Scaldaferri.

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XXII Congresso Brasileiro de Cirurgia Bariátrica e Metabólica

Cerca de 2.500 profissionais de saúde – entre cirurgiões, nutricionistas, educadores físicos, psicólogos e psiquiatras – irão debater novas tecnologias e avanços no tratamento da obesidade, entre os dias 27 e 29 de outubro, em Salvador.

Entre os principais temas a serem abordados estão a ampliação da indicação para a cirurgia bariátrica para pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) a partir de 35 kg/m², sem a presença de qualquer doença e para pacientes com diabetes fora do controle e IMC maior que 30.

A cirurgia em idosos e adolescentes, bem como a cirurgia robótica, dietas para pacientes veganos, compulsão e as técnicas mais eficazes para determinados tipos de pacientes estão entre os temas. A programação inclui mais de 220 mesas redondas, 273 palestrantes, sendo 13 internacionais, 5 cursos e 3 simpósios.

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