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A plataforma de cirurgia robótica é uma tecnologia em crescimento em todo o mundo. A alta foi de 200% nos últimos quatro anos, de acordo com dados de estudos apresentados pela Dra. Paula Volpe, cirurgiã do aparelho digestivo, no curso de cirurgia robótica no XXII Congresso Brasileiro de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, que acontece em Salvador (BA), entre os dias 27 e 29 de outubro. 

Ainda segundo os números exibidos pela cirurgiã, dos 760.076 casos bariátricos realizados entre 2015 e 2018, 7,4% foram feitos com abordagem robótica e 90,4% com abordagem laparoscópica. O acesso robótico para a cirurgia bariátrica saltou de 5,9% para 9,9%, de 2015 a 2018, com a técnica Sleeve. Já o Bypass saiu de 7,2% para 10,2% no mesmo período. As cirurgias revisionais – que são uma das principais indicações desta tecnologia minimamente invasiva – saíram de 1,7% para 3,9%. Seu uso apresentou redução nos índices de complicações, que caíram de 5,63% para 4,78% nos casos de readmissões e, de 2,31% para 1,46%, em reoperação. 

“Nós que operamos sempre sabemos que para casos complexos alguns benefícios da robótica são indispensáveis. Trabalhamos em espaços muito pequenos, o que a laparoscopia não me permite fazer. Temos uma cirurgia muito mais delicada com o robô, que oferece visualização ampliada e em 3D. No caso do paciente superobeso, você traz ele para a cirurgia como se fosse um paciente com obesidade em nível moderado”, afirma Paula Volpe. “Hoje temos cada vez mais equipamentos que proporcionam cirurgias menores e menos invasivas, os instrumentos de laparoscopia são todos retos, não têm articulações e, em relação a isso, ganhamos muito em relação a cirurgia robótica”, diz. 

Entre os benefícios da robótica para o paciente está a possibilidade de realizar cirurgias complexas de forma minimamente invasiva, proporcionando ao paciente menor dor pós-operatória, redução no risco de infecção e outras complicações e retorno precoce às atividades cotidianas.  Representantes da indústria apontam que 8,5 milhões de pacientes já foram operados com o auxílio do robô, sendo 100 mil no Brasil. 

Temos 25 anos de robôs utilizados nos centros cirúrgicos e 4 gerações desta tecnologia, de acordo com o cirurgião José Rubens Arnoni Júnior (SP). “Os mais recentes agregam novas pinças e oferecem mais mobilidade do equipamento no centro cirúrgico”. 

 

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Evolução 

O Dr. Alexander Morrel (SP) concorda e ressalta a evolução dos equipamentos e a ergonomia do cirurgião nesta técnica. “Principalmente em cirurgias mais longas e complexas. Além disso, as novas pinças e equipamentos permitem cada vez mais autonomia para o cirurgião responsável. Recentemente foi lançada a pinça capaz de grampear diretamente, sem precisar acionar o cirurgião auxiliar”. 

Atualmente 29,1% das cirurgias do aparelho digestivo no mundo são feitas com o auxílio do robô, conforme  dados apresentados pelo cirurgião Raul Andrade Mendonça Filho (SE). 

 

Cirurgia robótica

As doenças relacionadas à obesidade são responsáveis por mais de 4,7 milhões de mortes em todo o mundo a cada ano, metade das quais ocorrem entre pessoas com menos de 70 anos de idade.

Nos últimos cinco anos foram realizadas 311.850 mil cirurgias bariátricas pelos planos de saúde e pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Destas 252.929 cirurgias, segundo dados da Agência Nacional de Saúde (ANS), foram realizadas através dos planos e 14.850 foram feitas de forma particular.

Deste total, 44.093 procedimentos foram realizados pelo SUS (Sistema Único de Saúde), sendo apenas 115 procedimentos realizados na Bahia neste mesmo período, conforme dados do DATASUS.

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