A inovação brasileira na cirurgia metabólica e bariátrica esteve no centro das discussões científicas do Congresso Latino-Americano da International Federation for the Surgery of Obesity and Metabolic Disorders, realizado no início do mês de março, em Cartagena. Entre os temas que despertam a atenção dos público inscrito nos cursos pré-congresso esteve a bipartição intestinal, técnica desenvolvida no Brasil e que vem ganhando espaço em diferentes países.
Segundo o diretor de cirurgia emergentes da SBCBM, Sérgio Santoro, um dos principais nomes associados ao desenvolvimento e difusão da técnica, ressaltou que o reconhecimento internacional reflete décadas de evolução científica.
O curso foi o primeiro pré-congresso a esgotar os ingressos entre todas as atividades científicas do encontro.
Segundo Santoro, a bipartição intestinal representa uma mudança importante na compreensão da cirurgia metabólica. Diferentemente das técnicas clássicas, historicamente baseadas nos conceitos de restrição alimentar, a bipartição foi a primeira técnica cirúrgica concebida especificamente para modular os hormônios intestinais envolvidos no controle metabólico e na regulação do apetite.
“Mais de duas décadas depois, o entendimento sobre os mecanismos metabólicos da cirurgia evoluiu significativamente, e o papel da modulação hormonal passou a ocupar posição central nas discussões científicas”, avalia Santoro.
O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, Juliano Canavarros, disse que o destaque da técnica no congresso demonstra o protagonismo brasileiro na inovação cirúrgica. “É muito importante ver a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica sendo referência mundial em técnicas, consensos e diretrizes no que se refere ao tratamento cirúrgico da obesidade”, declarou o presidente.
Após mais de duas décadas de desenvolvimento e debate científico, o Brasil foi o primeiro país a reconhecer integralmente a bipartição intestinal dentro da prática da cirurgia bariátrica e metabólica. Atualmente, a técnica já é realizada em cinco continentes e em diversos países, especialmente em sistemas de saúde onde não há regulamentação específica sobre técnicas cirúrgicas, ficando a decisão a critério do médico e da equipe cirúrgica.
Entre os especialistas presentes na sessão, o cirurgião Álvaro Albano destacou a importância histórica da técnica no desenvolvimento da cirurgia metabólica moderna.
“A bipartição foi uma técnica pensada para atuar diretamente na fisiologia hormonal do intestino. Na época em que surgiu, isso desafiou e, após muitos estudos, hoje entendemos melhor os mecanismos metabólicos da cirurgia e vemos o quanto essa visão foi inovadora”, comenta Albano.
Cirurgias emergentes
No cenário de constante evolução da cirurgia bariátrica e metabólica, novas técnicas cirúrgicas vêm sendo estudadas e discutidas pela comunidade científica internacional. Essas chamadas cirurgias bariátricas emergentes incluem procedimentos que buscam atuar de forma mais direcionada na fisiologia hormonal do intestino e na regulação metabólica, refletindo uma compreensão mais moderna dos mecanismos envolvidos no controle do peso e do diabetes.
No Brasil, esse avanço técnico também vem sendo acompanhado por atualizações regulatórias. O Conselho Federal de Medicina, por meio da Resolução nº 2.429/2025, trouxe atualizações importantes em relação às técnicas cirúrgicas reconhecidas na cirurgia bariátrica e metabólica, sendo considerado um um dos regulamentos mais avançados do mundo.