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Entre tantos cuidados presentes no pré e pós-operatório da cirurgia bariátrica e metabólica, o que exige maior dedicação e esforço por parte da equipe multidisciplinar é incentivar o paciente para seguir com os cuidados necessários após a cirurgia. Isso é o que apontam profissionais de diversas áreas da saúde que participaram nesta quarta-feira (25) de uma mesa-redonda sobre a jornada do paciente, no primeiro dia do XXIII Congresso Brasileiro de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, no Rio de Janeiro.

A enfermeira Karina P. Córdova moderou o debate e afirmou que o maior desafio, tanto da enfermagem quanto das demais áreas, é dar seguimento ao tratamento do paciente. “A gente precisa incentivar a adesão desse paciente após a cirurgia para que ele tenha uma equipe multidisciplinar, que ele tenha uma boa suplementação nutricional, apoio psicológico, que seja acompanhado por um educador físico, pelo menos a cada 3 meses. Sem sombra de dúvidas, nosso maior desafio como equipe multidisciplinar é que esse paciente não nos abandone após a cirurgia”, afirma.

Karina P. Córdova | Enfermeira

Palestrantes de diversas áreas da saúde falaram sobre o assunto na mesa redonda deste primeiro dia de congresso. Entre as especialidades presentes, estavam psicologia, fisioterapia, enfermagem, endocrinologia, cardiologia, nutrição e educação física.

Para a psicóloga Carolina Mocellin Ghizoni, esse acompanhamento multidisciplinar tem o potencial de incentivar a adesão já na primeira consulta, propondo um momento de acolhimento ao paciente que sofre diariamente com a obesidade. “Nós somos responsáveis por entender a dor desse paciente, e só criando esse vínculo de confiança que ele se sentirá seguro para voltar para a consulta e seguir com o tratamento. Ele já sofreu demais, temos que tirar toda essa culpa que o paciente carrega. Precisamos explicar que a obesidade é uma doença e que ele estar obeso não é culpa dele”, afirma Carolina.

Um dos fatores que podem resultar na desistência do acompanhamento médico após a cirurgia é a frustração do paciente, seja em relação ao corpo ou aos cuidados necessários no pós-operatório. “A mudança no estilo de vida começa no pré-operatório, e não no pós. Aliar as expectativas, como questões de flacidez e corpo ideal, tempo de emagrecimento, e hábitos alimentares é fundamental para que o paciente continue com o tratamento”, acrescenta a psicóloga.

Carolina Mocellin Ghizoni | Psicóloga

A nutricionista Gisele Credidio reforça a importância dessa conversa inicial e do trabalho que deve ser executado até que o paciente realize a cirurgia. “Nós temos que analisar todo o histórico dessa pessoa, como os hábitos alimentares, estilo de vida, se há ou não compulsão alimentar, uso de medicamentos e até mesmo questões financeiras. Muitos pacientes não têm condições de comprar e consumir proteínas e hortaliças, por exemplo. A gente tem que orientar uma alimentação que ele consiga manter a longo prazo, aumentando as chances de adesão no pós-operatório”, explica.

Gisele Credidio | Nutricionista

O EVENTO

O XXIII Congresso de Cirurgia Bariátrica e Metabólica é o maior da área em toda a América Latina e acontece entre os dias 25 e 27 de outubro, no Riocentro, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. São cerca de 2 mil cirurgiões reunidos, sendo 303 palestrantes, destes, 16 são internacionais.

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