A Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) participou, nesta sexta-feira (20), em Brasília, do I Fórum de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, com o tema central “Tratamento da Obesidade e Cirurgia Bariátrica no SUS”, promovido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).
O evento reuniu especialistas, cirurgiões com referência nacional e internacional da SBCBM, representantes do Ministério da Saúde e membros da Câmara Técnica de Cirurgia Bariátrica e Metabólica do CFM para discutir desafios assistenciais, políticas públicas e modelos de organização do cuidado.
Para o presidente da SBCBM, que apresentou no Fórum a proposta de implantação e funcionamento dos Centros de Tratamento da Obesidade (CTO) pelo SUS, Juliano Canavarros, o evento representa um grande avanço no sentido de aproximar entidades que atuam no tratamento da obesidade e de ampliar o acesso a cirurgia bariátrica pelo sistema público de saúde.
“Foi uma grande iniciativa e tivemos a oportunidade de colocar a SBCBM como parceira do Ministério da Saúde na criação dos Centro de Tratamentos da Obesidade, o que irá reduzir o tempo de espera do tratamento, possibilitar melhores desfechos clínicos e também reduzir custos ocasionados por reinternações das consequências da obesidade a londo prazo”, disse Canavarros.
Ele explicou que a SBCBM – como sociedade científica reconhecida, com capilaridade nacional e com projeto de certificação profissional – poderia atuar na certificação e acreditação dos CTOs, treinamento de equipes, atualização de protocolos e na auditoria de resultados. Canavarros também detalhou a estrutura mínima necessária, a importância da equipe multiprofissional e a definição de fluxos assistenciais organizados.
O encontro, realizado em formato virtual, com transmissão ao vivo pelo YouTube, teve como objetivo discutir estratégias para fortalecer a linha de cuidado da obesidade no Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando o acesso, qualificando a assistência e promovendo decisões baseadas em evidências científicas e dados em saúde.
A programação contou com seis mesas-redondas, uma conferência especial e momentos de debates, com participação de lideranças e especialistas que contribuíram para a construção de propostas e encaminhamentos ao longo do dia.
Programação e participantes
A abertura reuniu Carlos Magno Pretti Dalapicola (2º Tesoureiro do CFM), Antônio Henriques de França Neto (Conselheiro Federal e Coordenador da Câmara Técnica de Cirurgia Bariátrica e Metabólica do CFM) e Arthur Lobato Barreto Mello (Diretor do Departamento de Atenção Especializada e Temática do Ministério da Saúde), marcando o alinhamento institucional sobre desafios e prioridades do cuidado da obesidade no SUS.
Na primeira mesa-redonda, dedicada ao cenário nacional, o médico Orlando Pereira Faria, membro da Câmara Técnica, abordou a fisiopatologia da obesidade e destacou a complexidade da doença. “Comer demais não causa obesidade; é a obesidade que causa comer demais. Comer menos não trata a obesidade; tratar a obesidade leva a comer menos”, afirmou, ressaltando as implicações dessas conclusões para o controle de longo prazo.
O, também membro da Câmara Técnica e ex-presidente da SBCBM, Ricardo Cohen, tratou das indicações, resultados e desafios de acesso à cirurgia bariátrica e metabólica no SUS. Ele reforçou que a obesidade deve ser reconhecida como doença em si: “Obesidade é uma doença por si só. Não é preciso esperar outra enfermidade para caracterizá-la como tal. Ela é uma doença quando causa dano ao organismo, e não apenas um fator de risco”.
Representando o Ministério da Saúde, Kelly Poliany de Souza Alves, coordenadora-geral de Alimentação e Nutrição, apresentou a linha de cuidado da obesidade no SUS e suas prioridades. Ela também alertou para o estigma do peso e a gordofobia no atendimento em saúde. Nos debates, Luiz Fernando Córdova, diretor societário da SBCBM, contribuiu com reflexões sobre os temas apresentados.
Já na segunda mesa-redonda, dedicada à Atenção Primária à Saúde (APS), Kelly Alves abordou estratégias de prevenção e políticas públicas relacionadas ao ambiente alimentar. O diretor de relações institucionais da SBCBM, cirurgião Gustavo Peixoto Soares Miguel apresentou o papel da APS no diagnóstico, na estratificação de risco e nos critérios de encaminhamento para níveis especializados. O cirurgião Flávio Kreimer, que integra a Câmara Técnica e a SBCBM, discutiu o tratamento clínico estruturado na atenção primária, incluindo mudança de estilo de vida, farmacoterapia e a importância da coordenação do cuidado como eixo central para o acompanhamento longitudinal do paciente. Nos debates, participaram Érika Alessandra Melo Costa (SES/RN) e Mariana Silva Melendez Araújo (Nutricionista – HRAN/DF), ampliando a perspectiva da gestão e da assistência.
Custo-efetividade – A terceira mesa-redonda tratou da implantação e funcionamento dos Centros de Tratamento da Obesidade (CTO) no SUS. com o dr, Juliano Blanco Canavarros.
O ex-presidente da SBCBM e diretor executivo da Federação Internacional de Cirurgia da Obesidade e Transtornos Metabólicos Capítulo América Latina e Caribe (IFSOLAC), Luiz Vicente Berti, apresentou modelos internacionais de certificação e também o projeto de certificação e acreditação da SBCBM. Na quarta mesa-redonda, Berti discutiu a custo-efetividade da cirurgia bariátrica, destacando evidências econômicas e o impacto positivo na redução de comorbidades como diabetes tipo 2, hipertensão arterial e apneia obstrutiva do sono. O especialista também defendeu a implementação de fila única como estratégia de equidade no acesso. “Não se trata de retirar autonomia, mas de garantir justiça. Entre os resultados esperados estão equidade, redução da judicialização e fortalecimento da confiança institucional”, afirmou.
Nos debates, o cirurgião e membro da SBCBM, Luíz Gonzaga de Moura Júnior ( que também integra a Câmara Técnica) contribuiu com considerações técnicas sobre o tema.
O cirurgião Herbert Motta de Almeida coordenou a Conferência sobre Marco Regulatório, que teve como palestrante o cirurgião Dr Igor Marreiros Pereira Pinto – integrante da SBCBM e Câmara Técnica – que apresentou o tema regulação profissional, qualidade e segurança: credenciamento, volume mínimo, seguimento e responsabilidades éticas.
Nos debates, contribuíram Wilson Rodrigues de Freitas Júnior (SBCBM/Câmara Técnica) e Maria Edna de Melo (Endocrinologista – FMUSP), trazendo visão complementar sobre qualidade assistencial e critérios de cuidado.
A quinta mesa-redonda abordou o Impacto Sistêmico da obesidade. Os palestrantes foram o Dr. Álvaro Albano de Oliveira Neto (Câmara Técnica/SBCBM) que abordou o impacto clínico e populacional, com foco em redução de mortalidade e melhora de comorbidades após o tratamento cirúrgico; Dr Herbert Motta de Almeida (SBCBM) falou sobre seguimento de longo prazo no SUS, incluindo nutrição, saúde mental, complicações tardias e prevenção do reganho de peso e o ex-presidente da SBCBM e integrante da Câmara Técnica do CFM, Dr. Ricardo Cohen discutiu cirurgia metabólica e diabetes tipo 2, com evidências, critérios e caminhos para implementação segura no SUS. Nos debates, Ana Carla Peres Montenegro (SBEM) contribuiu com considerações clínicas e de acompanhamento.
Para finalizar o Fórum o tema foi Governança e Decisão com a participação de do Dr Aristótenis Cardoso Cruz, do Dr. Gustavo Peixoto Soares, que apresentou coordenação da rede e regulação assistencial: do território ao centro de referência. Já o Dr. Igor Marreiros Pereira Pinto (Câmara Técnica) abordou decisão baseada em dados: registros, padronização de desfechos e governança clínica para sustentar políticas públicas. Nos debates, Wilson Rodrigues de Freitas Júnior (Câmara Técnica) reforçou pontos ligados à governança e qualificação da assistência.