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Os novos medicamentos para o tratamento da obesidade e diabetes, como a semaglutida e retratutida, não devem ser vistos como inimigos da cirurgia bariátrica. Apesar das preocupações da classe médica, o futuro da cirurgia bariátrica está na parceria com o tratamento medicamentoso, segundo especialistas que participaram do debate “Farmacoterapia moderna: amiga ou vilã?” no primeiro dia do 23º Congresso Brasileiro de Cirurgia Bariátrica e Metabólica. 

Ricardo Cohen, ex-presidente da SBCBM, coordenador do Serviço de Obesidade e Diabetes do Hospital Oswaldo Cruz e presidente eleito da IFSO, explica que a obesidade e o diabetes devem ser tratados como doenças crônicas e progressivas que são, e por isso exigem intervenção, seja ela cirúrgica ou farmoterápica. “No tratamento do câncer não vemos o cirurgião oncológico brigando com o radioterapeuta. Todos se unem em prol de um bem comum: salvar a vida do paciente. O mesmo deve acontecer quando falamos da obesidade e diabetes. Essas doenças são progressivas, não podemos ter preconceito de unir a cirurgia com os medicamentos. O objetivo é tratar a doença e diminuir as complicações do paciente”, afirma. 

Ricardo Cohen

Durante a palestra, Cohen trouxe diversos estudos e dados que comprovam uma redução de peso mais efetiva entre os pacientes que aliam medicamentos e cirurgia bariátrica, assim como um melhor controle do índice glicêmico. A endocrinologista Tarissa Beatrice Zanata Petry explica que, além de potencializar o tratamento, os medicamentos apresentam resultados positivos na redução de doenças associadas. 

“Os novos medicamentos têm contribuído para um controle de complicações decorrentes da obesidade e diabetes, como nefropatia e problemas cardiovasculares. A adesão à farmacoterapia traz muitos benefícios para o paciente e não deve ser colocada em último plano. Tanto o endocrinologista quanto o cirurgião devem estar abertos para indicar o melhor tratamento ao paciente”, afirma Tarissa.

Tarissa Beatrice Zanata Petry

“A cirurgia bariátrica não é a saída mais fácil para tratar a obesidade. E nem o uso de medicamentos! Eles são as melhores opções quando indicadas de acordo com a necessidade de cada paciente, e por isso não devem ser excluídas das opções disponíveis para melhorar a saúde e qualidade de vida das pessoas”, explica Cohen.

O perfil dos pacientes bariátricos deve mudar

Com o lançamento de novos medicamentos no mercado para tratamento da obesidade, muitos cirurgiões levantaram um questionamento sobre o futuro das cirurgias bariátricas, tendo em vista que alguns medicamentos apresentam um alto índice na redução de peso corporal. 

Para Cohen, este não é o fim da cirurgia bariátrica. “Com o potencial dos novos medicamentos, a farmacoterapia pode ser efetiva no tratamento de muitos pacientes obesos com índice de massa corporal entre 30 e 35.  A expectativa é que, a longo prazo, haja um aumento dos volumes de cirurgias complexas com foco em pacientes com obesidade mórbida”, finaliza. 

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